Diferenças sociais em Norbert Elias

Diversos pensamentos e teorias têm sido formulados a respeito da civilização e dos indivíduos. Num mundo pós Karl Marx, poucos foram os que se aventuraram em novos caminhos. Conceitos como luta de classes se tornaram base para diversos pensadores. Entretanto, as relações entre as classes, para Norbert Elias (1897-1990), se dão de outra maneira.

Para compreender a sociedade moderna, Elias recorre à sociedade de corte inglesa. Segundo ele, naquela sociedade se observa fatores e relações que perpetuam-se na modernidade, hoje. O primeiro ponto é que a sociedade é um grande cenário. Um cenário onde pode-se observar atores e papéis diferenciados; no caso da corte inglesa: rei, nobres, clero, súditos; hoje temos: donos dos meios de produção, diretores, chefes, supervisores, gerentes, comerciantes, empregados, trabalhadores.

Entre os diferentes atores sociais existe uma interdependência. O rei dependia da nobreza, assim como a nobreza dependia do rei. O mesmo ocorria nas relações entre rei-súdito, nobreza-servo, e até mesmo em relações como rei-nobreza-servo-súdito. Um indivíduo dependente dos outros. Em nossas sociedades modernas a interdependência é visivelmente percebida. Há interdependência entre, por exemplo, chefe-empregado e vendedor-cliente. Tais interdependências geram tensões. Tensões que muitos desejam eliminar são vistas por Elias como mecanismos de sociabilidade. Essa relação se perpetua pois todos têm poder. Destruir tais polaridades destruiria a dependência que cada uma das partes teria.

O grande problema encontrado pelo autor é que existe um grande custo na manutenção da sociedade, seja de corte ou moderna. Um custo social, afetivo e econômico. Tal manutenção, entretanto, tem um caráter de preservar a aparência da sociedade. Tudo precisa figurar estar em seu devido lugar, quando na verdade há apenas um controle sobre os indivíduos para que não se satisfaçam todas as suas emoções. Para que se perpetue tais tipos de sociedade o controle, tanto do corpo como das emoções, está sempre presente.

Com isto, é possível um paralelo entre a antiga organização social da corte inglesa com as sociedades modernas. Se antigamente era a imagem do rei que precisava ser preservada, para o controle e manutenção da sociedade, hoje temos o governo e as instituições públicas lutando pela manutenção e preservação de uma imagem de seriedade e compromisso com o povo.

O pensamento de Norbert Elias nos faz pensar as relações de poder existentes entre os cidadãos. Nos inspira escrever um próximo ato para a peça de teatro que estamos assistindo e atuando ao mesmo tempo. É a nossa relação com os outros atores e coautores que nos permitirá um novo caminhar quando as luzes se apagarem e reacenderem.

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