A ética da bandidagem

Sendo muito eufêmico, isto é, usando palavra boazinha para amenizar a realidade, posso afirmar que o advogado Jeferson Badan foi “infeliz” ao falar sobre a ética dos bandidos.

Pra quem não sabe, um aluno da USP foi morto com um tiro na cabeça no estacionamento da faculdade. Hoje, um indivíduo se dirigiu à uma delegacia e confessou a participação no crime. De acordo com o que confessou, ele e um comparsa estavam roubando no local, por ter pouca segurança, e o responsável pelo disparo foi o comparsa. Obviamente ele não entregou o comparsa. Indagado sobre a decisão de não denunciar o comparsa, o advogado (conhecido por defender bandidos, estelionatários e outras estirpes) declarou que até no meio da bandidagem há uma ética, e que tal código de ética afirma que não se deve entregar outro bandido.

É engraçado como deturpam as palavras e tenho de concordar que esta é a primeira forma de subverter a racionalidade humana, relativizando tudo. Ética não tem nada a ver com “código de conduta”. Ética é a reflexão crítica sobre as ações dos indivíduos.

Usando o potencial racional para refletir, podemos encontrar inúmeros erros nesta suposta ética dos bandidos. O bandido deve: estar atento, escolher bem o alvo, não roubar deficientes, justificar seus crimes com argumentos emotivo-sociais, ter boa mira com o revólver, planejar a ação, fugir de forma eficiente, não deixar pistas e não entregar os amigos. Olha que belo código de conduta. Se o outro é seu amigo, cumpre defendê-lo e protegê-lo, mas se o outro pode ser considerado playboy, boyzinho, riquinho etc. então merece não ter proteção e defesa.

O problema da bandidagem no Brasil é a ausência de noção de propriedade privada. Os outros são propriedades de si mesmo e toda espécie de violação é um crime. Tirar a vida de alguém é tirar a propriedade daquela pessoa. É um roubo de vida.

Qual pode ser a condenação para latrocínio? Uns 20 a 30 anos (saindo em 10 por bom comportamento). Eu queria ver se ele tivesse de indenizar a família da vítima pelo seu crime. Quanto valeria a vida de um jovem de 24 anos, universitário e com todo o futuro pela frente?

Quando aviões caem todos querem arrancar uma grana das empresas aéreas. Queria um mundo no qual todo crime pesasse no bolso. Queria ver quem estaria disposto e ressarcir os danos de outros.

Seria antiético? Não mesmo! Seria a melhor forma de responsabilizar cada um pelos seus atos.

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