Kevin Carson não representa o libertarianismo

Há um ímpeto comum entre os seres humanos. Atinge do inculto ao culto, do esquerdista ao direitista, do ateu ao fundamentalista religioso e dos mancebos aos anciãos. Este ímpeto é o de concluir que uma característica das partes deva se aplicar ao todo. Na vontade de refutar, surgida da indignacão com um texto de Kevin Carson e com um radicalismo ideológico de internet, Luciano Ayan cedeu e abraçou o erro categorial de composicão. Ayan desejou mostrar como o libertarianismo de Kevin Carson é utopista ao dizer que sem estados não haveria guerras.

Primeiramente, Ayan acerta ao colocar Carson como um libertário de esquerda. Entretanto, é preciso lembrar que “o libertarianismo de esquerda não é uma posição política homogênea. Antes, designa diferentes abordagens de questões políticas e sociais num contexto teórico nos quais diferentes teorias relacionam-se. Deste modo, falar em libertários de esquerda pode-se referir aos seguintes grupos teóricos: (1) esquerda libertária, (2) georgismo (geoísmo), (3) escola Steiner–Vallentyne, (4) agorismo, (5) left-libertarianism (libertarianismo de esquerda de livre mercado).”1

Antes, porém, que atribuam ao libertarianismo as características de uma parte, repito que a teoria libertária é um todo complexo que inclui: “o liberalismo neoclássico de Friedrich Hayek e Milton Friedman, o anarcocapitalismo de Murray Rothbard e David Friedman (são anarcocapitalismo diferentes), o objetivismo de Ayn Rand, o geolibertarianismo (georgismo) de Fred Foldvary, o libertarianismo de esquerda de Hillel Steiner e Peter Vallentyne, o agorismo de Samuel Konkin III, o minarquismo de Robert Nozick, o neo-mutualismo de Kevin Carson, além de diversas outras posições à esquerda de anarquistas e libertários clássicos e contemporâneos e à direita como a ética argumentativa de Hans-Hermann Hoppe.”2

Dito isto, podemos começar a falar sobre a posição de Kevin Carson a respeito dos conflitos entre Israel e Hamas. Em Gaza: O feitiço de Israel se vira contra o feiticeiro, Carson busca analisar o atual conflito resgatando a sua origem. A partir de duas obras sobre a história do conflito, o autor chega a uma conclusão parecida com muitas análises feitas anos atrás acerca do conflito Estados Unidos – Osama Bin Laden. Foram os EUA que financiaram Bin Laden contra um inimigo maior, a URSS. Portanto, os ataques de 11 de setembro, foi o feitiço (o treinamento e financiamento de Osama) contra o feiticeiro. Do mesmo modo, Israel apoiou o Hamas contra outros grupos islâmicos. O apoio e financiamento do passado se voltam a Israel hoje. É óbvio que o Hamas tem culpa ao bombardear Israel, não vou negar isto e nem dizer que uma ética se baseia em consequências indesejadas. O ponto que merece atenção é que este tipo de apoio externo, financiamento e treinamento, se mostrou extremamente fracassado. Os estados ao tentarem promover a paz geraram guerras. Significa que confiar em estados para que tenham uma boa relação externa é ingenuidade.

O ponto de Carson é que a tentativa de governos em atuar no exterior malogrou. A história cobrou um alto preço por conta da tomada de posição em conflitos externos. É por conta disto que conclui duas coisas: (1) não se deve confiar na narrativa oficial sobre as ameaças externas e (2) “há uma boa chance de que todos os problemas no exterior sejam repercussões das ações do próprio estado”.

Dizer que há uma boa chance de que todos os problemas externos sejam causados pelo estado não é dizer que um mundo sem estado não possui guerras. Isto seria uma negação do antecedente, o que evidentemente Carson não fez.

Mas e se não houvesse estados na região como será que as coisas funcionariam? No texto Israel e Palestina: uma guerra estatal, Markus Bergström mostra que muito além de se perguntar quem tem legitimidade de controlar os territórios reivindicados o problema começa justamente pela existência de estados conclamando para si territórios.

As soluções existentes, estados de Israel e Palestina coexistindo e acordados sobre os territórios ou a fusão num só estado, não resolveriam os conflitos. Uma terceira posição seria a abolição de ambos os estados. Não haveria mais o estado israelense e um dos fatores mais agregadores e pacificadores, o comércio, conseguiria evitar conflitos grandes e custosos. (não vou repetir tudo o que Bergström colocou em seu artigo, o bom leitor o lerá.)

Antes de terminar, dizer que sem estados não haveria as guerras estatais não é afirmar que a natureza humana é boa. É a maldade humana nas mãos de líderes com incentivos que geram grandes guerras. O ser humano entra em conflito com outros o tempo todo. Numa sociedade sem estado, a segurança funcionaria bem diferente e um ótimo começo é ler o livro Teoria do Caos do Bob Murphy.

Em tempo, o erro de Kevin Carson não é apontar que os conflitos sejam de responsabilidade das autoridades israelenses e palestinas. Sua teoria econômica e seus pressupostos marxistas são problemas bem mais graves. Ainda bem que ele não representa o libertarianismo.

 

Notas:

1Filipe Celeti. Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda: conceitos e diferenças. Disponível em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1653

2Filipe Celeti. Uma defesa do desfusionismo, ou uma aula para Filipe Altamir. Disponível em: http://www.institutoliberal.org.br/blog/uma-defesa-desfusionismo-ou-uma-aula-para-filipe-altamir/

Anúncios

A sabedoria na greve do transporte coletivo

Quando lemos sobre as greves nos deparamos sempre com a mesma temática. Disserta-se sobre política, trânsito, política, direito, política, ética, política, urbanismo, política, transporte e política. Mas pouco é percebido acerca do modo como os homens vivem. Perde-se oportunidades valiosas em entender um pouco mais sobre como pensamos e agimos. Há um lado bom na greve. Poucos conseguem ver. Para entender como ela proporciona o exercício do cérebro, temos de entender o cotidiano numa grande cidade.

A rotina numa grande cidade é marcada pelo compromisso e pelo comprometimento. Há horário para tudo. Existe uma agenda a ser concretizada. Os estudos, o trabalho, o almoço, a academia, o lazer e as compras são todos adequados à nossa maneira de estruturar nossa vida ordinária. Numa cidade complexa há horários diversos. São infinitos os arranjos.

Entretanto, os arranjos pessoais dependem de condições externas aos esquemas e anseios internos de cada indivíduo. É por este motivo que uma greve, como a do transporte coletivo, torna a vida de praticamente a totalidade dos indivíduos um caos.

A greve, porém, tem um lado bom. A greve nos força a pensar. A greve nos retira do cotidiano. Do estancamento da rotina. Que beleza maior há do que a possibilidade de inventar o novo? De remodelar-se?

As reclamações sobre o trânsito, sobre ter de mudar o caminho para onde quer que se esteja indo, estão permeadas por uma vontade de não mudança. Deseja-se que o universo seja sempre o mesmo, que tudo esteja sempre no mesmo lugar. A realidade não é assim. Quando se contempla o mundo ao redor percebe-se que a todo instante faz-se necessário alterar os planos.

O homem tem a necessidade de organizar o mundo, que por sua vez é caótico. Não entender esta caoticidade faz com que o indivíduo caia em alguns extremos. Em primeiro lugar não há de se relativizar tudo por conta da dinâmica existente. Em segundo lugar, a insistência no controle leva necessariamente ao sentimento de impotência em poder controlar tudo e todos. É este desejo de universo controlado que mais se sobressai quando vemos o horror estampado na face daqueles que ficam desorientados diante de uma situação nova.

Quando uma pessoa amada morre, termina o amor, não se passa na entrevista, na prova ou no exame, o que fazer? É preciso recalcular a rota. Às vezes voltar e seguir outro rumo. Outras vezes basta fazer uma conversão à direita e seguir para o mesmo alvo por outro caminho. Quando uma ponte cai você procura outra ponte, toma um barco, vai a nado ou simplesmente não atravessa. É o mesmo dilema da pedra no caminho, tão popular e banalizado, mas pouco compreendido em sua essência.

A greve dos transportes coletivos é sábia. Mostra o quão estamos viciados em nossos planos e em nos adequar aos planos de terceiros. Mostra ao trabalhador que ele pode não ir trabalhar quando outros fatores o impedirem. Mostra ao patrão que ele não pode contar com todos os funcionários sempre. Mostra a ambos a necessidade de conhecer rotas alternativas.

A greve nos transportes é sábia. Escancara a quem quiser ver o modo como estruturamos a nossa vida. Além disso, mostra exatamente como é a condição de viventes. Mostra que não há segurança nos planos. Evidencia que a condição humana é a de esgueirar-se em meio as tempestuosas adversidades.

Por conta disto tudo, pode-se amar a greve. Ame a greve! Ame quando a vida te forçar a se reinventar. Contemple, mas não a inércia da pacata existência que te retira a possibilidade de escolher, errar, acertar, mudar, viver.

 

 

Escrito para o blog Ad Hominem.

O melhor começo de livro

Não é inteligente julgar um livro pela capa, mas não é desonesto aquele que julga uma obra pelo primeiro parágrafo. Uma boa história começa boa. O bom texto te prende, te fascina, te estimula e te alimenta com uma sensação de necessidade de devorar cada pronome, verbo, artigo, advérbio, adjetivo, conjunção etc. Não é à toa que Platão utiliza a metáfora do começo de uma obra para falar da importância de pensar a educação. “O começo é a metade de toda obra” (VI 753e), afirma o personagem “Ateniense” em As leis.

São inúmeros os bons livros que começam bem. Lembro do Morgenstern me apresentando Arquipélago gulag, com a história deles comendo uma salamandra ancestral congelada na Sibéria. Lembro da primeira folheada no clássico Lavoura arcaica e de meu encantamento ao ler os contos sartreanos em O muro. Não poderia esquecer do mestre Machado, encantando antes mesmo das Memórias póstumas começarem, ao dedicar o livro ao verme que roeu o seu cadáver.

Apesar dos brilhantes começos, há um livro, não literário, mas acadêmico, que conseguiu o primor de dissecar e apontar o modo como a sociedade tem vivido. Publicado em 1971, Sociedade sem escolas, de Ivan Illich, transcende o debate acerca da educação. O parágrafo com o qual inicia o primeiro capítulo nos permite discutir até a exaustão, mas pretendo não te cansar, caro leitor.

Illich escreve:

Muitos estudantes, especialmente os mais pobres, percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os escolariza para confundir processo com substância. Alcançado isto, uma nova lógica entra em jogo: quanto mais longa a escolaridade, melhores os resultados; ou, então, a graduação leva ao sucesso. O aluno é, desse modo, «escolarizado» a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é «escolarizada» a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar da saúde com tratamento médico, melhoria da vida comunitária com assistência social, segurança com proteção policial, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. Saúde, aprendizagem, dignidade, independência e faculdade criativa são definidas como sendo um pouquinho mais que o produto das instituições que dizem servir a estes fins; e sua promoção está em conceder maiores recursos para a administração de hospitais, escolas e outras instituições semelhantes. (p.16)

Ao dizer que muitos estudantes percebem o que a escola faz por eles, de forma intuitiva, Illich está dizendo que, mesmo sem saber ou entender, as pessoas percebem que na verdade a escola não serve pra nada. Após passar mais de 10 anos numa instituição de ensino, muito pouco do que ali foi dito, pensado ou debatido se relacionará com a vida. O meu medo é que a escolarização tem tido tanto êxito, que a quantidade de pessoas que percebem tem diminuído drasticamente. Os alunos formam-se institucionalizados e, quase robôs, pouco fazem ou são capazes de fazer com aquilo que foi programado e registrado em suas mentes.

O que a escola faz? Confunde processo com substância. Faz com que as pessoas confundam anos de estudo com resultados, ter se formado com sucesso. Não demora muito para o pobre perceber que comprou uma ideologia furada. Foi bombardeado com slogans que afirmavam que passar mais anos estudando lhe dá mais chance, e depois percebe que muitas vezes a conclusão de um curso não resulta na mágica entrada para o mercado de trabalho. Percebe também que seus colegas com habilidades esportivas e persistência, outros que cultuaram o próprio corpo, e aqueles que se dedicaram a fazer ruídos com letras sobre gastar dinheiro e dormir com muitas mulheres, “deram” muito mais certo do que os que estudaram com dedicação. Pode perceber também que o culto aos anos de formação impede os anos de experiência. Comprou gato por lebre, ao viver debaixo da institucionalização da educação.

Adentrando o mundo da educação, a confusão entre processo e substância leva a entender o ensino como aprendizagem. O processo do ensino não é o fruto de um ensino bem realizado. Estar presente num ambiente em que existe ensino, não resulta em aprendizagem. Entretanto, vivemos sob o mantra do discurso metodológico confundido com resultados de aprendizagem – quando esta já não foi descartada totalmente em nome do processo oco.

Confundir a obtenção de graus com educação é o que faz a nossa sociedade medir seus índices e multiplicar estatísticas sobre a população escolarizada e o tempo da escolarização. “Veja como estamos mais educados! Passamos de uma média de 5 anos para 8 anos de educação.” Todo tipo de artificio nefasto é utilizado para melhorar os dados que dizem apenas que as pessoas passam mais tempo inútil numa construção arquitetônica denominada escola. A aprendizagem e a educação estão muito distantes disto. Illich mostra ao longo de seu texto como este pensamento se perpetua para angariar mais fundos para esta instituição responsável pela “educação”.

Nesta sociedade confusa, o que mais se multiplica é a inexistência de competentes à medida em que mais pessoas tornam-se certificadas. Muitos querem ter um papel, poucos querem ser, viver e saber. A cultura do diploma é a manifestação da grave doença burocrática que visa impedir que as pessoas sejam o que desejam se não estiverem dentro de critérios puramente arbitrários.

Por último, a cegueira institucionalizada cria um mundo de palpiteiros que, dominando minimamente a língua, pensam-se capazes de dizer algo novo acerca da realidade. A aprendizagem, a educação e a competência não importam, pois o que vale é o processo.

A imaginação também é escolarizada. Lembro de Georges Didi-Huberman falando sobre a imaginação rasgada (déchirée) de nosso tempo, nos impedindo de ver, interpretar o que vemos e de ir para além do que enxergamos. Pode ser este pano de fundo estético o responsável pela aceitação de serviço em troca de valor. Não há criadores de valor no universo de repetidores de ações, incapazes de refletirem sobre o que realizam.

Para além da educação, temos a institucionalização de tudo. Não há mais saúde fora dos sistemas. Os médicos tornaram-se os sacerdotes e feiticeiros, responsáveis pela verdade e pelos encantamentos de vida e de morte. É preciso sempre ter uma instituição para cuidar daquilo que pertence ao indivíduo. Para a segurança temos a polícia, para a defesa temos o exército, para a melhoria de condições de vida temos os programas de assistência social, para a justiça temos os tribunais burocráticos, para a validação de contratos temos os cartórios. Nada escapa da institucionalização. Para viver com quem se ama, para vender um produto e para consumir plantas alucinógenas invoca-se uma instituição que será responsável por aquilo que o indivíduo poderia realizar sem autorização e sem invocar tal autorização. Mas esta é a condição da sociedade escolarizada.

O término do parágrafo de Illich não poderia ser diferente. Quando “saúde, aprendizagem, dignidade, independência e faculdade criativa” são vistas como resultados dessas instituições que dizem ser as únicas responsáveis por tal substância, temos obviamente a demanda infinita de recursos para fazer cumprir tais resultados. É a partir deste mito que escolas, hospitais, tribunais, ONGs, ordens profissionais, sindicatos e legisladores retiram a legitimidade que inventaram para si mesmos como os verdadeiros provedores daquilo que, sem eles, as próprias pessoas poderiam conseguir.

A institucionalização da vida é total. Vivemos na época de delegar aos outros a responsabilidade que deveria nos ser própria. Uma época na qual

o medicar-se a si próprio é considerado irresponsabilidade; o aprender por si próprio é olhado com desconfiança; a organização comunitária, quando não é financiada por aqueles que estão no poder, é tida como forma de agressão ou subversão. A confiança no tratamento institucional torna suspeita toda e qualquer realização independente. […] Em toda parte, não apenas a educação, mas a sociedade como um todo precisa ser «desescolarizada». (p.17)

Ivan Illich iniciou seu livro de maneira primorosa. Que este autor que vos escreve tenha conseguido, mutatis mutandis, algo parecido em sua estréia neste blog.

Referências:

ILLICH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1985.

 

Escrito para a minha estreia no blog Ad Hominem.

Valesca Filósofa

 

Em meio a tantos debates acerca do ensino de filosofia é preciso dizer que há mais gente enganada ou enganando do que o professor que colocou um trecho da música de Valesca Popozuda em sua avaliação. Surgiram grupos de pessoas, em ambos os lados do debate, que simplesmente ignoraram pontos importantes.

O ponto inicial é dizer que o professor errou. No que errou? Errou, não em colocar a música da Valesca em sua prova, mas em fazer uma questão tão superficial. Uma pergunta na qual o aluno necessita apenas conhecer um trecho de uma música de sucesso não permite a este aluno uma reflexão crítica da realidade, que é a proposta de todo ensino de filosofia levado a sério.

As justificativas em defesa do professor se dividem em: (1) foi uma ironia e (2) houve um debate em aula anterior a respeito do tema da moral. Se a questão foi pensada para ser uma ironia, então é preciso dizer a este professor que a tentativa de ironia dele malogrou. Se a questão se justifica por conta da possibilidade de abertura de um debate, faz-se necessário dizer que toda a possibilidade de leitura consciente da música e da realidade foram eliminadas por conta da pobreza da pergunta feita.

Por outro lado, criticou-se o professor pelo fato de utilizar-se de uma música popular – considerada de gosto duvidoso por aqueles que ainda imaginam uma escala hierárquica nas artes. Ora, se a filosofia não nos permite ler uma manifestação cultural, seu local, seu sentido, seus limites e sua abrangência, então a filosofia é inútil. Além disto, se uma manifestação cultural não nos permite indagar sobre a realidade que a cerca, significa que nossas possibilidades reflexivas estão enferrujadas.

O problema de ensino não está nos materiais utilizados ou numa valorização da cultura popular sobre a cultura erudita, – embora este seja o problema fundamental da pedagogia freireana – mas na qualidade da formação de nossos professores. O planejamento de aula, o estabelecimento de metas e objetivos, a metodologia e a avaliação são algumas das competências que foram deixadas de lado para formar professores “críticos”. Numa escolarização aleijada há apenas a realização de uma prática incompleta.

Aos especialistas que milagrosamente apareceram para comentar o ocorrido, Rothbard dizia que a economia é uma ciência complicada e por este motivo é melhor que os ignorantes em economia não digam besteiras sobre ela. O mesmo pode-se dizer da pedagogia. Há muitos palpites, mas muito pouco de compreensão da dimensão educacional.

 

Arte, gosto e significado

monalisa

O que é Arte? Há algum critério objetivo que defina o que é arte? Se sim, qual critério? Se não, tudo é arte? Que relação existe entre a arte e o gosto?

Essas perguntas não são nem um pouco triviais. O problema principal ocorre quando relacionamos a arte com o gosto. Se não existe um critério que defina a arte, então não há mal gosto e tudo é permitido. Se existe um critério então é possível classificar a arte como arte superior e inferior, relacionando o fazer e a fruição artísticos com o bom e o mau gosto.

Inicialmente é preciso entender que a história da arte percorre toda a história do homem, ou seja, arte é desde a arte rupestre até as instalações sem sentido que vemos nas exposições atuais. Compreende desde os sons arcaicos e cantos tribais, passando pelos compositores clássicos, como Mozart e Beethoven, até os bondes e MCs do funk. Das representações de divindades e do mundo em pedra e madeira até as esculturas abstratas feitas de lixo.

Apesar de acompanhar toda a história do homem, é na contemporaneidade que há um debate sobre o qual gostaria de escrever. A partir do século XX surgem manifestações artísticas que dificultam e confundem os apreciadores de arte a entenderem o que seja a arte. De um lado existem os que querem resgatar uma compreensão da arte como atrelada ao bom gosto e de outro lado os que defendem que tudo é arte. Discordo dos dois grupos.

Nem tudo é arte. Se tudo é arte. Se tudo pode ser considerado arte, então matamos o próprio significado de arte. Para que exista a arte é preciso que exista a não-arte. É desta contradição que podemos compreender seu significado. Se todo jogador de tinta numa superfície for considerado um artista e seu trabalho uma obra de arte, não há nenhuma diferença entre a Monalisa e a parede rabiscada do quarto de uma criança. Existem critérios para a arte e estes critérios são objetivos.

Quais seriam, então, os critérios objetivos da arte? Há, cada vez mais presente, uma apologia da ideia de que a arte contemporânea não seja arte. Tais defensores criticam o ready-made de Marcel Duchamp, como A fonte, o urinol que colocou numa galeria assinado com o pseudônimo R. Mutt. Criticam também a pop-art de Andy Warhol.

Os advogados da beleza, como Roger Scruton, cometem o equívoco de não compreender duas coisas: (1) a era da arte ligada ao gosto e ao belo acabou e (2) não há uma relativização da arte devido ao fato da relativização da beleza.

É certo que a beleza e o gosto foram relativizados. Entretanto, tal relativização não atinge a arte. A arte não é atingida pois se desligou do debate acerca da beleza para se conectar ao debate sobre o significado. É este ponto que precisa ser compreendido.

Um urinol tombado certamente não é bonito nem sublime. Mas ao se deparar com um objeto do cotidiano dentro de um espaço de arte o observador é levado a refletir sobre o significado e não apenas a utilizar seu juízo estético.

duchamp-fonte
“A fonte”, Marcel Duchamp

Arthur C. Danto, filósofo e crítico de arte, um admirador do trabalho de Duchamp, expôs sua compreensão sobre a arte como algo que possui algumas características. Arte é arte somente quando: (1) tem assunto, (2) tem estilo (ponto de vista e projeção de atitude), (3) é reticente (tem um espaço metafórico a ser preenchido pelo público) e (4) quando a sua interpretação exige um contexto de história da arte.

Com tais critérios objetivos – e não com uma postura relativista – é que o trabalho de artistas como Duchamp podem ser considerados obras de arte. Rabisco na parede de um quarto infantil, sons aleatórios ou qualquer outra “manifestação” da interioridade de alguém não se enquadram nos critérios de Danto.

Sempre haverá espaço para o gosto e para padrões ou critérios de beleza. Eles são importantes. Mas quando pensamos em arte, falamos daquilo que nos retira da mera admiração para nos levar a pensar com a obra, seja ela sublime ou nojenta, seja agradável ou estranha. Estamos na época da arte como significação, que saibamos refletir e não apenas dizer “gostei” ou “não gostei”. A arte nos diz muito mais do que nossa primeira impressão é capaz de captar.

O que é liberdade?

Quando defendemos ideias e ações, precisamos procurar definir as palavras que usamos. Muitos já ouviram falar em liberalismo e libertarianismo, mas o que significa a palavra liberdade? Longe de falar de uma explicação complicada e filosófica pretendo trilhar uma explicação didática. Não é preciso falar difícil para ser profundo. A clareza é importante.

Antes, porém, de falar o que é a liberdade, vou começar pelo o que a liberdade não é. Quando falamos em liberdades, não estamos falando de habilidades, condições e capacidades. Não poder realizar alguma coisa não torna ninguém menos livre. A liberdade não é a capacidade de fazer algo. Além disto, existem diversas concepções de liberdade.

Leia mais…

Texto publicado em minha coluna, Descomplicando, no site Liberzone.

A História do Movimento Libertário Brasileiro

conferenciaepl

Uma das coisas mais complicadas é escrever a história. O distanciamento dificulta a compreensão, mas a proximidade também impede um olhar sem tanta participação do fenômeno historiado. O momento é recente, sem a possibilidade de distanciamento temporal para digerir os fenômenos e ainda há participação direta de quem historiografa este pequeno intervalo de tempo que marca o nascimento do movimento libertário brasileiro. Tendo em vista a parcialidade e as limitações, aconteceu e está acontecendo o que se segue.

Escolhi marcos históricos que mudaram a tendência do movimento ou que possibilitaram uma nova forma de militar. Faço alguns julgamentos, cometo equívocos, mas pretendi não construir heróis do movimento. Prefiro escolher meus heróis depois que morrem, pois não posso cometer o erro de observar a história de uma forma e estar deveras equivocado com o que vi. Não vou explicar terminologias e conceitos. Esta história é informativa, não uma defesa de um ponto de vista dentro do libertarianismo, apesar de muitos conhecerem minha visão de mundo a partir do que escrevo.

Este texto é um relato do que vivenciei. Do que vi, ouvi, li, pesquisei e me informei. Desculpem-me se algo importante não está destacado. Mesmo muitas pessoas podem esquecer de algo.

Antes de 2004 – Think Tanks e Mobilizacões Esparsas

Quando se fala em movimento libertário no Brasil é preciso separar dois grandes momentos. Há uma era de mobilização individual que perdura até 2004 e uma mobilização grupal que se inicia principalmente através da rede social Orkut. Obviamente que muita coisa ocorreu no Brasil antes de 2004. Poderíamos começar a história com os portugueses aventureiros que vieram viver por aqui muito antes da coroa portuguesa pretender tomar posse da terra distante. Inúmeras personagens do movimento inconfidente, do movimento abolicionista e de outros levantes contra os governantes e seus asseclas poderiam ser lembradas. Entretanto, o moderno libertarianismo surge no século XX e falar deste passado é falar de um proto-libertarianismo, como Bastiat, Cantillon, Spooner, Tucker e outros pensadores que possibilitaram a fusão de ideias que culminaram no movimento libertário.

A era pré 2004 é marcada pela atuação do Instituto Liberal (IL). Fundado em 1983 no Rio de Janeiro por Donald Stewart Jr (1931-1999), o instituto passou a traduzir obras sobre o liberalismo, praticamente inexistentes no Brasil. Destaque para a primeira edição do livro Ação Humana de Mises. Junto com as traduções vieram as palestras, colóquios e seminários. Dentre os professores e especialistas, juntou-se ao IL o professor Og Francisco Leme (1922-2004), que permaneceu no instituto até 2003. O trabalho do IL e principalmente de Donald Stewart Jr e Og Leme foi o de transmitir e ensinar a empresários e jovens proeminentes intelectualmente os princípios da liberdade e as bases de uma sociedade liberal, muitas vezes com aulas particulares. O IL abriu mais sete instituições em capitais brasileiras, mas por problemas administrativos foram sendo fechadas e reincorporadas ao IL-RJ, com exceção do IL-RS, que se tornou o Instituto Liberdade em 2004.

No Rio Grande do Sul também havia o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), fundado em 1984 em Porto Alegre por jovens empresários. O IEE funciona do mesmo modo até hoje. Um grupo de jovens empresários debate e estuda temas das mais diversas áreas com a finalidade de se tornarem líderes que defendam uma sociedade justa, ética e livre. Os encontros se destacam por conta dos convidados que palestram: intelectuais, especialistas, políticos, ganhadores de Nobel. Em 1988 o IEE organizou o seu primeiro Fórum da Liberdade, evento que tem sido realizado anualmente até hoje.

O primeiro presidente do IEE foi William Ling, da mesma família que em 1995 fundou o Instituto Ling para conceder bolsas de estudos a jovens, com potencial, para instituições de ensino de ponta.

O Instituto Friedrich Naumann para a Liberdade no Brasil, em atividade desde 1984, tem trabalhado na formação política e cívica. A atuação em formação política esteve ligada à juventude do partido Democratas, atividades em conjunto com outros institutos liberais e a publicação de obras relacionadas ao cotidiano político e ao como defender as ideias liberais no mundo político real.

Apesar de livros e autores libertários serem debatidos a partir da atuação deste grupos, havia ainda um foco muito mais num liberalismo econômico, ausente no Brasil, do que num sistema filosófico que abordasse a liberdade de forma mais ampla. O conservadorismo e anti-petismo marcaram os debates liberais antes da eleição de Lula.

Diversos intelectuais e empresários se esforçavam para difundir o liberalismo no Brasil como José Guilherme Merquior (1931-1991), J. O. de Meira Penna (1917-), Jorge Gerdau Johannpeter (1936-), Roberto Bornhausen, Leonidas Zelmanovitz, Candido Prunes e André Burger. Uma figura responsável por um debate amplo acerca da liberdade por conta de sua exposição enquanto político e polêmico foi Roberto Campos (1917-2001). Deste grupo de liberais, talvez o único libertário brasileiro desse tempo pré 2004 tenha sido o Henry Maksoud (1929-). O empresário escreveu uma nova constituição, diversos livros sobre liberalismo econômico, além de defender que todos os políticos eleitos fossem enviados a uma ilha para não governarem e pararem de dar canetadas que inviabilizavam o empreendedorismo brasileiro. Maksoud era, sem dúvidas um liberal radical, defensor não apenas de liberdade econômicas, mas também de liberdade individual. Em 1974 comprou a Revista Visão e a tornou um veículo de propagação de ideias liberais, mesmo sob um regime de censura. A revista criticava o regime militar brasileiro e sua postura estatista, desenvolvimentista e intervencionista, assim como o sindicalismo e as políticas sociais.

Na virada do século, Renato Lima, Eduardo Maia e Rafael Ferreira formaram um grupo de estudos em Recife-PE, a Sociedade Hayek. Os colegas de faculdade, de diferentes cursos, se reuniam para discutir textos de filosofia e economia, em especial clássicos inexistentes no currículo dos cursos universitários. O espírito crítico e não dogmático do grupo incentivou a formação de outros grupos de estudos. O sucesso da Sociedade Hayek pode ser visto nos 4 prêmios Donald Stewart Jr, concedido pelo IL, a estudantes que participavam do grupo, Renato Lima, Rafael Ferreira e Arthur Gomes. Entre os estudantes da Sociedade Hayek muitos se destacaram como Renato Lima (hoje no MIT), Diogo Coelho (Itamaraty), Emiliano Abad Monteiro de Melo (embaixador no Brasil da Sandbox Network) e Marcelo Correia (Ministério do Planejamento). No curso de jornalismo da UFPE, uma das marcas deixadas pelos hayekinos foi a copa de futebol criadas por eles, que até hoje se chama Paulo Francis.

Renato Lima e Eduardo Maia também fundaram, em 2002, o Café Colombo, um programa de rádio sobre livros e ideias que promove o pensamento liberal com comentários de obras como Ação Humana e O Caminho da Servidão. Foram feitos programas dedicados a personalidades liberais, como Roberto Campos, e entrevistas com personalidades liberais. O programa que vai ao ar até hoje na Rádio Universitária da UFPE foi a porta de entrada de diversos estudantes no movimento libertário, pois através do programa conheceram livros, institutos e palestras.

No mundo virtual, os poucos blogs versados em filosofia da liberdade e economia austríaca eram o Austríaco do Lucas Mendes, O Indivíduo, do Pedro Sette Câmara, Sérgio Coutinho de Biasi e Alvaro Velloso, e aqui e ali algumas publicações do Alceu Garcia (pseudônimo do advogado Pedro Mayall Guilayn). Vale lembrar quem em novembro de 1997 os três amigos de O Indivíduo distribuíram um jornal físico na PUC-RJ, causando um enorme rebuliço na instituição. O blog foi resultado desta militância.

A maioria dos indivíduos estavam espalhados e raros eram os encontros de liberais radicais. A maioria ainda adepta de um liberalismo clássico com argumentos da escola austríaca de economia contra o dirigismo do estado. Também na internet havia um grupo que se reunia no fórum de debates do antigo site do Olavo de Carvalho. Com o fechamento do fórum e um pouco órfãos dos ILs, algumas pessoas se reuniram num grupo de discussões de e-mail do Yahoo, a “Rede Liberal”.

2004 – 2008 – O Orkut

Como dito anteriormente, o aglutinador dos libertários foi o Orkut. Isso se deu principalmente por conta das opções políticas que o site dava para colocar em seu perfil. Entre as opções havia “libertarian” e “very libertarian”. Como no Brasil o termo “libertário” sempre foi controverso, muitos anarquistas colocaram a opção “very libertarian” em seus perfis. Por este motivo, em 2004 foi criada uma comunidade chamada O que é very libertarian, para discutir e explicar o termo no Brasil.

Foi a partir de 2005 que, entre os debatedores do Orkut, surgiu um jovem economista chamado Rodrigo Constantino, que se firmou enquanto formador de opinião. Constantino participava de inúmeros debates, muitos calorosos, lhe rendendo muitos fãs e desafetos.

Em 2005 o IEE funda o seu capítulo em Belo Horizonte e em 2007 funda o seu capítulo em São Paulo.

Existiu um blog durante o ano de 2006, o Ação Humana, de Guilherme Roesler. O autor, um estudante de direito, possuía outros blogs (Gazeta Cultural e Federalista), porém se afastou do libertarianismo. Um dos poucos blogs de 2006 que ainda estão no ar é o blog do Sol Moras Segabinaze, o SOL.

Em 2006 já haviam comunidades em português sobre libertarianismo e sobre autores como Rothbard, Mises e Hayek. O pólo central dos debates era a comunidade Liberalismo e depois na Liberalismo (verdadeiro), quando os conservadores tomaram a primeira. Os debates também foram calorosos na Economia Brasileira.

Um marco e constantemente citada era a comunidade Liberais de Orkut na Kombi, criada pelo Léo Miranda (hoje envolvido com o Estudantes Pela Liberdade na região de Ipatinga). Em 2007 foi enchida a primeira Kombi. Se você está lendo este texto é porque muitas outras ficaram lotadas.

Em 2005 e 2006 discutiu-se a criação de um partido libertário. Tudo começou com Fernando Chiocca em 21 de Novembro de 2005, criando uma comunidade no Orkut para atrair interessados. A primeira versão do atual LIBER foi o P-LIBER (depois P-LIB), com logotipo, site e diversas propostas feitas pelo Alexsander Rosa. Com o tempo e os debates as pessoas do Orkut passaram a desenvolver a ideia até chegarem no nome Libertários e novo logo. Visto como solução para o cenário político, o LIBER obteve apoio de anarcocapitalistas, minarquistas, liberais clássicos e objetivistas, como Geraldo Boz Junior e Edu AFO.

Muitos libertários participaram deste aprendizado de debates. Fernando Chiocca se consolidou como defensor radical da liberdade tendo como marca o desprezo pelas ideias erradas de seus oponentes. Henrique Vicente, Guilherme Inojosa e Rhyan Fortuna eram bem ativos nesse período. Bernardo Emerick travou debates com diversas “personalidades” orkuteanas e é lembrado por vencer cada um deles. O debate principal daquela época se dava entre o libertarianismo jusnaturalista e o utilitarista. Debates sobre anarcocapitalismo, minarquia e o papel do estado também eram frequentes.

Em 2007 aconteceu a primeira reunião oficial do Libertários (LIBER) em São Paulo, no dia 12 de Agosto, com Filipe Rangel Celeti (conhecido como F) e André Luiz de Freitas Paranhos (conhecido como Presidente, foi o presidente do Libertários-SP quando o partido ainda não havia se registrado). O grupo passou a se encontrar eventualmente num café na Av. Paulista e depois mudou os encontros para o apartamento do André Rufino. Além do Filipe e dos Andrés, Carlo Rocha, Roberto Chiocca, Cauê Bocchi, Ney Fonseca, Guilherme Inojosa e Natan Cerqueira eram os libertários mais ativos na capital paulista. Foi a partir destes encontros que o amigo do Rufino, Bruno Paludo, também aderiu à causa. Nesta mesma época os libertários de Belo Horizonte passaram a se reunir na casa do Caio Magno. Entre os participantes estavam Juliano Torres, Thiago Guedes, Bernardo Gaetani, Henrique Vicente e Luciana Lopes Nominato Braga. A partir destes encontros, Minas Gerais passou a ser o ponto de multiplicação de novos libertários. Na cidade do Rio de Janeiro os encontros contavam com Bernardo Santoro (que cedia seu escritório para os encontros), Eric Duarte, André Victor Frajtag, Thiago Pinheiro, Pedro Henrique Gonzalez e Tertuliano Soares. Vários libertários passaram a organizar encontros informais e formais em suas cidades e cada vez menos os defensores da liberdade se sentiam solitários.

Foi em 2007 que o vídeo A filosofia da liberdade ganhou sua versão legendada em português, contribuindo para a disseminação das ideias.

2008 – 2012 – A Tomada da Internet e das Ruas

Após passar alguns anos no Orkut, como se fosse a incubadora libertária, o movimento passou a se expandir. Erick Vasconcelos monta o blog Libertyzine na metade de 2007 e Sidney Sylvestre dá uma aula de filosofia e economia no Depósito de Ideias. No fim deste ano entra no ar o site do Instituto Ordem Livre, projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute.

Os irmãos Roberto e Fernando Chiocca, juntamente com Hélio Beltrão, Leandro Roque e o professor Antony Mueller fundam o Instituto Ludwig von Mises Brasil, que vai ao ar no início de 2008. Apesar da tradução de artigos do Mises Institute, o Mises Brasil (IMB) não é subordinado ao instituto norte-americano. No mesmo ano, Rafael Hotz lança seu blog Enxurrada e Rafael Guthmann coloca no ar o seu Preço do Sistema (idealizado por Juliano Torres). Este ainda seria o ano em que Juliano Torres, o jovem vindo do movimento federalista e participante de inúmeras discussões, colocaria no ar o Portal Libertarianismo. Em pouco tempo o Mises Brasil e o Portal Libertarianismo se tornaram referenciais de conteúdos em português.

Foi em abril de 2008 que, na véspera do Fórum da Liberdade XXI, no programa Conversas Cruzadas, Rodrigo Constantino e Ciro Gomes debateram. O preparo do político sobressaiu ao economista criando uma das expressões mais comuns do meio libertário: “Isso dá bilhão?”.

Na cidade de Fortaleza no Ceará foi criado o Grupo de Estudos Dragão do Mar, hoje vinculado ao EPL. Os fundadores foram Raduán Melo, Cibele Bastos, Jeova Costa Lima Neto, Bruno Aguiar e Antônio Mariz. O grupo estudava obras de economia austríaca, organizava os eventos liberais nas universidades locais e atuava como diretório do LIBER.

No final de 2008 foi criada a Rothbard Society, grupo que intentava concentrar a divulgação do libertarianismo através de apostilas introdutórias distribuídas a diversos setores da sociedade. O grupo trocava textos para a formação pessoal e foi provavelmente o brainstorming de diversos projetos que se desenvolveram quando os ânimos se esfriaram e o grupo acabou.

Para além do universo de tradução de textos e livros e produção de material original em blogs e sites de institutos, Olavo Rocha (1988-2009) passou a gravar vídeos com sua produtora Fonft Filmes. O humor foi a marca das produções da Fonft, que infelizmente parou com suas atividades com o falecimento do Olavo.

Em 2009 um grupo de estudantes da UnB deu o pontapé para a criação de movimento estudantis defensores da liberdade ao fundarem a Aliança Pela Liberdade. No mesmo ano o grupo já participava dos Conselhos Superiores da Universidade de Brasília. Causaram enorme barulho na universidade quando, em 2011, elegeram uma chapa para a direção do Diretório Central dos Estudantes.

No Fórum da Liberdade de 2009, Diogo Costa e o Ordem Livre juntaram todos os liberais do Brasil envolvidos em algum movimento para planejar ações. Neste encontro foi decidido que o LIBER deveria ser criado em Belo Horizonte. Muitos laços foram criados entre diversos institutos que não se conheciam e um “Dia da Liberdade dos Impostos” foi feito em conjunto naquele ano.

No dia 20 de junho de 2009, um grupo de ativistas fundou o Libertários (LIBER) em Belo Horizonte. Juliano Torres foi eleito Presidente. Permaneceu no cargo até 2011. Na reunião de fundação o debate se deu entre anarcocapitalistas e minarquistas. Após concessões, foram aprovados um estatuto descentralizador e pautado em princípios inalienáveis e um programa moderado.

Ainda em 2009, Torres criou um grupo no MSN do Libertários. O chat sobre futebol, novela e todo tipo de assunto, inclusive política, atraiu muita gente para o libertarianismo. A informalidade conectou pessoas do Brasil todo, gente que futuramente veio compor apoio ao LIBER, ao Portal Libertarianismo e ao Estudantes Pela Liberdade.

Em 2009 o Ordem Livre organizou o primeiro Liberdade Na Estrada, ideia de Lucas Mafaldo, que contou com a participação de Adolfo Sachsida, Bruno Garschagen, Diogo Costa, Hélio Beltrão, Lucas Mafaldo, Rodrigo Constantino e Fabio Ostermann. O LNE se repetiria pelos anos seguintes.

Em 2009, o IMB criou o I Prêmio IMB de artigos. As premiações foram cursos promovidos pelo Mises Institute. As categorias de premiação foram: Melhor Artigo e Maior Contribuição, ganhadas respectivamente por Joel Pinheiro da Fonseca (editor da revista Dicta&Contradicta e escritor no blog Ad Hominem) e Juliano Torres. Neste mesmo concurso tiveram menção honrosa Filipe Celeti e José Carlos Dragone.

Vai o ar o blog Q-Libertários destinado ao público LGBT. Tendo autor anônimo e na equipe o pseudônimo Endim Mawess, o blog durou dois anos.

No início de 2010, manifestantes do Rio de Janeiro organizaram uma passeata contra o PNDH-3 e a favor da liberdade. Esta manifestação foi a primeira a receber apoio do Libertários. O panfleto de convocação e de distribuição teve texto de Rodrigo Constantino. No Rio de Janeiro, a Globo e a Folha cobriram a manifestação. Em São Paulo a manifestação contou com a presença de partidários do PPS, Integralistas e do Movimento Mudança Já. Com um megafone um partidário do PPS falou e depois os integralistas passaram a usar o megafone. As falas começaram a sair do debate sobre o PNDH-3 e a Paola Morales Cardenas do LIBER se revoltou com os integralistas. Depois que os ânimos abaixaram Filipe Celeti usou o megafone e discursou a favor do indivíduo e contra as panacéias de povo, estado, pátria e outras loucuras ditas pelos outros participantes. Quando os integralistas falaram novamente disseram “filho de bandido vai ser bandido” e que “prostituta não tem dignidade e integridade”. Os libertários se revoltaram e os integralistas foram embora da manifestação.

Em abril de 2010, o IMB organizou o I Seminário de Economia Austríaca em Porto Alegre . Entre os palestrantes havia economistas estrangeiros, como Lew Rockwell, Joseph Salerno, Mark Thornton e Thomas Woods, além de David Friedman (filho de Milton Friedman) e Patri Friedman, filho de David. Entre os representantes brasileiros: Ubiratan Iorio, Rodrigo Constantino, Fábio Barbieri e Antony Mueller. A mídia classificou o seminário como Uma visão ainda mais liberal e uma defesa do ultraliberalismo. O evento possibilitou um encontro entre os defensores do libertarianismo, grupo que crescia a cada dia.

Em julho deste ano vai ao ar o primeiro blog assumidamente fusionista (conservador libertário), o Libertar, do Marcos Paulo Goes. O site é quase uma versão conservadora brasileira do conhecido site americano Info Wars.

Em 2011 foi montado na FEA o GEEA – Grupo de Estudos da Escola Austríaca, organizado por Gabriel Oliva, Thomás de Barros (um dos primeiros na FEA a estudar Escola Austríaca e que economicamente se tornou keynesiano), Felipe Farah, Felipe Durazzo, André Castro, Felipe Passero, Einstein do Nascimento e Filipe Celeti. Outros grupos de estudos foram criados por todo o Brasil. Na capital federal, por exemplo, foi criado o Grupo de Estudos de Escola Austríaca do Distrito Federal, o GEEA-DF, por Daniel Marchi e Tullio Bertini.

No ano de 2011 ainda houve a eleição de Bernardo Santoro como presidente do LIBER. Entre os desafios havia discussões internas que iriam desestabilizar o movimento partidário por conta do atrito de alguns membros fundadores. O foco do LIBER deixa de ser expansão para ser profissionalização.

Neste ano, Thiago Guedes, fundador do LIBER, do Portal Libertarianismo, do Grupo do MSN, dos Debates orkuteiros, simplesmente abandonou o libertarianismo para militar em movimentos e partidos de esquerda, tornando-se grande crítico do movimento libertário e de seus membros.

Ainda em 2011 o LIBER participou da Marcha Pela Liberdade em São Paulo, por conta da proibição da Marcha da Maconha. Apesar de entrevistados por alguns veículos como Canal Brasil e Radio Jovem Pan não foi possível saber se as falas foram ao ar.

Este momento (2009-2011) marcou a entrada de intelectuais e especialistas no movimento, principalmente orbitando o IMB, entre os principais: Ubiratan Iorio e Fabio Barbieri na Economia, André Luiz Santa Cruz Ramos no Direito, Klauber Cristofen Pires na Burocracia Estatal e Itamar Flávio da Silveira na História, para citar alguns nomes. O alcance do IMB chegou a pessoas como o jornalista Leandro Narloch, autor da franquia best-seller Guia Politicamente Incorreto.

Apesar da chegada de novos nomes, foi em 2011 que Rodrigo Constantino se afastou do IMB. Após ter um artigo sobre Mises e a democracia não publicado, passou a criticar o radicalismo de membros do conselho e de artigos. Torna-se um defensor de Mises e um crítico do Rothbard radical. A partir disto a sua carreira como colunista decola e seu discurso se torna mais moderado. Futuramente haveria mais uma briga entre o economista e o IMB.

A partir de 2011 os IEEs de São Paulo e Belo Horizonte se desligam do IEE e passam a ter estatuto próprio, formando o IFL – Instituto de Formação de Líderes.

Inspirado em Ateísmo e Peitos e Vegetarianismo e Bundas, Cristiano Eduardo Kroetz cria o Tumblr Libertarianismo e Lésbicas.

Em Curitiba, é fundado o Instituto Bastiat, com pessoas das áreas de engenharia, pedagogia, medicina, jornalismo, história, economia e direito. Em sua formação nomes como Geraldo Boz Junior, Leopoldo Castilho, Daniel Tisi, Rikardo Santana-Silva, Eduardo Godoy Ribas, Thiago Stefani, Nanna Ajzental e Sergio Ferreira.

2012 – Atual – Expansão e Consolidação

O começo de 2012 foi marcado pela produção dos Podcasts do IMB, liderados por Bruno Garschagen (Ordem Livre, Millenium e O Insurgente).

Foi apenas em 2012 que o movimento estudantil pela liberdade foi consolidado no Brasil. Após discussão acerca da ideia no Seminário de Verão do Ordem Livre em Petrópolis-RJ, o Estudantes Pela Liberdade (EPL) foi realmente organizado como o Students For Liberty global. Encabeçado por Juliano Torres, o EPL tem em seu conselho consultivo nomes como André Luiz S. C. Ramos, Anthony Ling, Carlos Pio, Diogo Costa, Fabio Barbieri, Fabio Ostermann, Helio Beltrão, Joel Pinheiro da Fonseca, Paulo Uebel, Rodrigo Constantino e Ubiratan Jorge Iorio. Dentre as lideranças estudantis: Carla Pereira, Carlo Rocha, Cibele Bastos, Daniel Sabba, Felipe Trentin, Guilherme Benezra, Isabela G. Campos Christo, Juliano Torres e Pedro Menezes.

Este encontro em Petrópolis não apenas iria consolidar o movimento estudantil libertário brasileiro, mas dar a cara a uma abordagem mais Bleeding Heart do Libertarianismo, herança da visita de Steven Horwitz ao Seminário de Verão do OL, como pode ser notado com a criação do site Capitalismo para os Pobres, de Diogo Costa.

O GEEA-DF realiza na capital federal o I e o II Encontro de Escola Austríaca de Brasília, em 2012 e 2013.

No universo político, o ano de 2012 contou com a participação de libertários nas eleições municipais. Bernardo Santoro concorreu no Rio de Janeiro-RJ e Sidnei Santana em Vitória-ES. Nenhum dos dois foi eleito. Rafael Lemos foi eleito o novo presidente do LIBER em 2013.

O IFL-SP realiza o Ideias em Movimento no Mackenzie-SP, fórum que contou com a participação do filósofo libertário Stefan Molyneux (Freedomain Radio). Aproveitando a vinda de Molyneux, o IMB promoveu um debate na Casa do Saber de São Paulo entre ele e o professor Vladimir Safatle.

Foi a partir de 2012 que Dâniel Fraga se consolidou como vlogger libertário de política. Sua defesa do anarcocapitalismo tem movimentado o universo dos debates políticos no YouTube. No mundo libertário temos os vídeos do Helleno de Carvalho Motta, da Jubs e do Cristiano Reyes Ruiz.

Surgiram neste período novos nomes que se tornaram proeminentes por conta das polêmicas no Facebook. Entre as personalidades destacam-se Luciano Takaki e Paulo Kogos.

Ainda neste ano o Instituto para o Desenvolvimento Econômico, Institucional e Social – IDEIAS (instituto criado por Juliano Torres para ser uma incubadora de diversos projetos) lançou a versão em português do Diagrama de Nolan e o Impostômetro de Bolso, aplicativo para celular. A execução técnica ficou a cargo da Algorich, empresa do libertário Max (Herond Salles). No ano seguinte, o IDEIAS foi incorporado ao EPL e, novamente em parceria com a Algorich, foi lançado o Índice de Liberdade Econômica.

No final de 2012 o cantor e compositor Lobão manifestou apoio à criação do LIBER, assinando a ficha de apoio e divulgando o partido no Twitter e em seus shows.

Em 2013 o IMB lançou a revista acadêmica MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia. A revista foi um marco para a produção acadêmica nacional e a tradução e publicacão de textos inéditos como, por exemplo, a tradução direto do latim de Rufino de Bolonha. Os responsáveis pela publicação foram o professor Ubiratan Iorio e o pesquisador Alex Catharino.

A segunda briga de Constantino com o IMB ocorreu em 2013. Por conta do lançamento do livro Privatize Já, Bruno Garschagen o entrevistou para o podcast. A entrevista não foi aprovada pelo conselho, o que irritou o economista. Muita discussão ocorreu abertamente no Facebook. Neste mesmo ano, Adolfo Sachsida publicou um texto em seu blog com o título Um Conselho aos Seguidores de Von Mises: Não Se Tornem Seguidores de Karl Marx, no qual criticava a postura radical dos libertários. Joel Pinheiro da Fonseca escreveu uma ótima resposta a Sachsida.

Na edição 172 da revista Roadie Crew, Wagner Lamounier, fundador da banda Sarcófago, ex-integrante do Sepultura e atualmente economista, disse: “acho que radicalismo é uma merda sempre que implica em querer impor aos outros, à força ou por meio de qualquer tipo de retaliação, sua própria visão e/ou opinião sobre algo. Isso se aplica à música, política, religião etc. Sou libertário – conheçam e assinem a petição para o partido LIBER ser criado! – e acredito no valor da liberdade de cada indivíduo escolher para si o que melhor lhe convier”.

Junho de 2013 foi o auge das manifestações. Também foi o marco da participação de libertários nas ruas. Na grande manifestação dos 60 mil de São Paulo, o LIBER organizou uma manifestação pelo fim do monopólio no setor de transportes. As duas manifestações se encontraram e muitos puderam conhecer uma outra forma de pensar a solução para os transportes com a panfletagem e os gritos de “monopólio não, livre mercado é a solução”. A participação de libertários nas manifestações em junho seguiram a agenda de participação iniciada no começo do ano com a manifestação de apoio a Yoani Sánchez em fevereiro. Não apenas em São Paulo, mas em outras cidades como Campinas, Rio de Janeiro, Vitória, Recife e Florianópolis, grupos libertários participaram de manifestações sobre os transportes e de outros eventos como a Parada Gay.

Neste momento, Florianópolis passa a ter uma mobilização mais consistente com a união de partidários do LIBER, do NOVO, anarquistas e por conta do Liberdade na Estrada e da palestra de Antony Muller na UFSC. Entre os articuladores do movimento na capital catarinense, Eduardo Bellani e Vinicius Gravina da Rocha.

O IL ressurge com fôlego novo em julho de 2013 tendo como presidente Rodrigo Constantino. Na equipe, Arthur Chagas Diniz (ex-presidente) como vice-presidente, Bernardo Santoro como diretor administrativo, Alexandre Borges como diretor, João Luiz Mauad como diretor e Ligia Filgueiras como tradutora. Com o foco novo de produção de artigos de análises da situação política atual, o IL chamou para compor o quadro de articulistas nomes como Fábio Ostermann (OL) e Roberto Barricelli (jornalista e articulista do LIBER).

No cerrado brasileiro foi criado o Instituto Carl Menger, um amadurecimento do GEEA-DF, com Daniel Marchi, Tullio Bertini, Lino de Mello Gill, Bruno Guimarães, Getulio Malveira e Rogério Vargens. O foco do instituto é na área de gestão e negócios, atuando com formação em economia aplicada pautada na Escola Austríaca. O grupo tem organizado palestras e encontros na DX Investimentos, empresa que mantém um programa de educação sobre mercado financeiro e finanças.

A descentralização na produção de ideias se mostrou com a criação de outros sites de divulgação libertária como Livre e Liberdade com Luciano Oliveira e Andre Assi (que também possui um blog pessoal, O Bico do Tentilhão); Mercado Popular (influenciado pela abordagem Bleeding Heart do Libertarianismo) com Pedro Menezes, Carlos Góes, Mano Ferreira, Erick Vasconcelos, Felipe França, Anthony Ling (Rendering Freedom), Andre Ichiro, Rodrigo Viana (Libversiva e A Esquerda Libertária), Matheus Assaf, Ana Clara Barboza, Lorrayne Porciúncula, Diogo Coelho e Valdenor Júnior (Tabula não Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart, o primeiro blog a divulgar o Bleeding Heart Libertarianism no Brasil); Liberzone, voltado para um público mais jovem e leigo, com Felipe Hermes, Bruno Galiza, Rodrigo da Silva, Renato Paredes Alves, Filipe Celeti, Adriel Santana, Raphael Moras de Vasconcellos, Tatiana Gabbi, Luciana Lopes, Rafael Hotz, Alice Salles, Odilon Candido, Isabela Campos, Emanuel Victor, Alexandre Mota, Andrei Moreira, Edgard Freitas e colaboradores internacionais.

Outros autores e pensadores tem surgido por conta da disseminação das ideias. Vale mencionar a Andrea Faggion que busca resgatar as raízes kantianas do pensamento libertário em seu blog The Misft. Roberto Rachewsky (fundador do IEE) possui um blog de destaque, o Causas & Consequências.

Diversos institutos e mobilizações tem sido criados, entre eles há o Instituto Liberal do Nordeste (ILIN) com nomes como Ávilla Queiroz, Raduán Melo, Mano Ferreira, Gabriela Benício, Diego Barros, Rodrigo Saraiva Marinho, Cibele Bastos e Tiago Gomes. O nordeste tem sido um pólo de mobilização com o Expresso Liberdade, com Lourival Filho, e a editora Resistência Cultural.

A ampliação do libertarianismo cultural teve seu ápice com os Acadêmicos de Milton Friedman, grupo idealizado por Jopa Velozo e João Nogueira que toca samba com letras satíricas. Outras iniciativas culturais, como o Versos Pela Liberdade, têm divulgado a liberdade através da arte.

Futuro

Muita coisa pode acontecer futuramente. Em 2014 o Ron Paul virá ao Brasil e deverá ser entrevistado e trazer o debate político eleitoral para questões de liberdade.

No mundo da política há também a consolidação do NOVO, que já possui libertários apoiando. As eleições de 2016 devem contar com um novo discurso para os entusiastas. Para alguns críticos, há o perigo do NOVO ficar preso dentro de um discurso liberal conservador sem conseguir grandes avanços efetivos. Entretanto, não é possível prever o futuro.

Todos os homens fazem história e há muito o que realizar. Que cada libertário seja um agente de transformação, quer seja no espaço micro ou macro.