Sobre PSL, LIVRES, liberalismo e ciência política

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Muitos acontecimentos passam por nós sem darmos a devida importância a eles. À medida em que alguns deles se tornam fatos e temos de compreendê-los ou buscarmos encaixá-los em nossa visão de mundo, surgem muitos problemas por desconsiderarmos acontecimentos que escaparam de nossa percepção. Se acrescentarmos os níveis de ódio, repulsa e extremismo que marcam o nosso tempo, teremos como resultado uma menor compreensão e uma maior rotulação.

Desde a Grécia Antiga vivemos o debate acerta do rótulo. De um lado havia Parmênides (“O Ser é e não pode não ser. O Não-Ser não é e não pode ser de modo algum.”) com o seu Ser imóvel e imutável. Do outro lado havia Heráclito (“Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes.”) com o constante devir. Parmênides pensava que as coisas são o que são. Heráclito, por sua vez, pensava que todas as coisas estavam em constante transformação. Assim, aquilo que hoje é pode não o ser amanhã. O debate Parmênides-Heráclito foi superado por Platão e a sua teoria das formas. Para ele, as ideias são imutáveis e a coisas estão em constante movimento.

O que o debate sobre o Ser tem a ver com rótulos? Ora, os rótulos são utilizados para fixar ideias às coisas. Ao rotular alguém de algo, rejeitamos a constatação de que as pessoas mudam, de que a natureza muda, de que a matéria está em constante movimento. Quando assumimos rótulos que foram dados por outros, podemos (e geralmente estamos a) julgar o outro e avaliar o outro sem o ver totalmente. Não temos acesso ao outro, vemos apenas o rótulo que antecede o ser.

É normal que no dia a dia utilizemos essas informações para tomadas de decisões conscientes ou inconscientes. Temos de ter rapidez para viver e partimos da ideia de que os rótulos foram colocados pelos outros para, muitas vezes, ajudar as pessoas a tomarem decisões, evitando que cometam má decisões.

O problema que quero tratar é quando o rótulo está fazendo com que as pessoas tomem decisões ruins. Neste momento, a necessidade de explicar as coisas, de desrotular, de despir é urgente. Este momento é o hoje e eu gostaria de discutir honestamente o conteúdo com vocês. Falo do PSL – Partido Social Liberal.

 

O PSL

Uma pesquisa rápida na Wikipedia mostra alguns acontecimentos que escaparam da análise de muitas pessoas. O PSL foi fundado em 1994 e conseguiu seu registro para participar de eleições em 1998. Isto significa que o PSL possui 18 anos de participação na política. O PSL não foi fundado recentemente, muito menos surgiu na onda do renascimento liberal brasileiro pós 2004.

Quando criticam o partido o colocam em comparação com o NOVO, um partido recém criado. Os problemas enfrentados por estes dois partidos são distintos. O primeiro precisa mostrar que está se reformulando internamente, o segundo precisa mostrar a que veio. Ambos terão as eleições municipais deste ano para que o eleitorado tome suas decisões. Isto não significa uma disputa ou guerra entre ambos, que fique claro.

Ainda sobre o PSL. Nestes 18 anos de atuação o partido conta com cerca de 200 mil filiados. São 200 mil pessoas que se filiaram, se elegeram e buscam se eleger. Pessoas de todas as índoles e com divergências políticas profundas. Isto ocorre com todos os partidos. Até o direitista tucano mais extremo está dentro de um partido no qual existe uma ala chamada Esquerda Pra Valer (EPV).

 

LIVRES

O PSL está em transformação. Isto significa que desde 2015 a diretoria nacional quer dar uma nova cara ao partido, tornando-o um partido mais ideológico e menos personalista. Esta mudança ideológica busca um retorno às bases sobre as quais o partido foi fundado, o social-liberalismo.

Esta renovação tem sido encabeçada pelo LIVRES, uma ala nova dentro do partido que está brigando para que o partido dê uma guinada ao liberalismo social. Significa abraçar as causas da liberdade econômica e social, isto é: simplificar a burocracia estatal; acabar com o favorecimento a grandes corporações, indústrias que promovem os vencedores escolhidos por canetada; defender liberdades civis como liberação da maconha e porte de armas; enxugar a administração pública etc. Tudo para que os menos favorecidos da sociedade possam viver num ambiente no qual possam se desenvolver, crescer e viver com dignidade, com uma economia estável e sem dificuldades inventadas pelos burocratas para venderem facilidades.

Toda esta reformulação é um processo. Partidos políticos possuem estatuto e ninguém chega dentro de um expulsando pessoas ou ditando regras aos outros. Mudanças internas em partidos demoram tempo e houve muito pouco tempo de 2015 para 2016. Significa que ainda há 200 mil filiados, num país extenso, num país no qual a política é vista com ódio. Ódio este multiplicado ainda mais diante das constantes crises econômicas e políticas.

 

Ciência Política

Fazer política num país como o Brasil é difícil. Ainda mais quando um partido quer ser um partido ideológico (algo que não funciona no Brasil se o desejo é se eleger). Fazer política e defender a liberdade na realidade política é mostrar para o eleitor médio os benefícios da liberdade para suas vidas.

Fazer política não é agradar a todos. Fazer política não é fazer teoria política e nem debater filosofia política. Fazer política é traduzir questões complexas e técnicas para que todas as pessoas possam compreender o que você propõe e serem convencidas de que aquilo que foi proposto pode ser realizado e vá de encontro com as necessidades e anseios delas próprias.

Portanto, compreender quem é o PSL, o que o LIVRES está fazendo, quais são seus limites e quais são as suas possibilidades é imprescindível para que o debate político não fique limitado aos rótulos que os odiadores insistem em colocar. O mundo não é aquilo que amo ou odeio. O mundo é uma possibilidade e há muita gente querendo se aventurar na construção de um mundo melhor. Faça parte da mudança ou embarque no trem do ódio e assista a tudo sentado na janela dos escarnecedores.

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36 comentários sobre “Sobre PSL, LIVRES, liberalismo e ciência política

  1. Me filiei ao Novo mas estou o achando muito amador, até ingênuo. Não pretendo me candidatar a nada, mas acredito na importância da participação político-partidária. Boa sorte ao Livres,

  2. Há muito que acompanho o movimento liberal pelas redes e em alguns encontros. O PSL me interessou devido à confiança que tenho em Celeti. Espero que com o projeto LIVRES torne o PSL no mínimo em que esperamos por um partido liberal.Boa sorte F. Celeti. Admiro seu trabalho e esforço. Pois sabemos que partido por si só não faz/muda nada. Filiação solicitada. Abçs.

  3. E como sei quem é LIVRES e quem é PSL? Na Bahia o PSL que vejo (eleito, não um ou dois bem-intencionados no facebook) são políticos de carreira aliados ao grupo PT/PCdoB há anos. Os sites não informam nada e o artigo não explica nem quais são as críticas (vi várias diferentes, de libertários ancap puristas a pessoas achando desordenado)

  4. Visto de uma perspectiva histórica e ideológica, seria coerente encaixar essa proposta do PSL dentro do liberalismo clássico britânico, nos moldes do século XVIII. Acontece que alguns pontos elencados se assemelham mais a um espectro de Tea Party estadunidense, na busca por um Estado mínimo e de liberdades individuais.

    É impossível localizar-se ideologicamente sem definir a função do Estado na operação da polis. A res publica, quando interpretada como um simples espaço de entes autonomos interagindo (vide Tea Party), se configura como um projeto político individualista, e de vies extrimamente economico e ideologico (no sentido estrito da palavra.)

    Como voce interpreta essa ambuiguidade?

    O que é o PSOL para o PSL? Em quesito de liberdade, o socialismo democrático tem como base a liberdade existencial, social, e economica do ser humano (vide Rosa Luxemburgo). Na busca da liberdade e da emancipação, será que uma dialética PSOL-PSL não capta mais o espírito do partido do que uma imaginada terceira via?

    Abraços!

    1. Vinicius,
      O LIVRES se aproxima e se distancia do Tea Party.

      Um estado mínimo não é um estado sem função. A função de validar os contratos e de garantir a segurança é defendida pelo LIVRES. Ocorre que nossa conjuntura é diferente da estadunidense. Estamos muitos distantes do que é o Estado nos EUA. Defender menor atuação do estado por lá é diferente de defender menor atuação do estado aqui. Temos um estado muito mais interventor do que o estadunidense.

      A base do LIVRES é o social-liberalismo. Num país dividido entre coxinhas e mortadelas, o LIVRES é apoiado e criticado por ambos os lados do espectro político. Ao mesmo tempo em que defende a manutenção do Bolsa Família, é a favor do fim do estatuto do desarmamento. Uma sociedade prospera com o comércio desimpedido e o livre-mercado não é incompatível com um estado que pode, temporariamente, ter uma política pública inclusiva.

      O PSOL é um partido que reivindica muitas mudanças políticas com as quais o LIVRES concorda. Ambos desejam a descriminalização da maconha, o PSOL tende a defender um modelo estatista (Uruguai) e o LIVRES defende um modelo de livre comércio (Colorado). PSOL e LIVRES podem atuar de forma conjunta em outras pautas, mas a finalidade social é diferente. O projeto de sociedade no longo prazo se distancia. O PCO é uma partido de esquerda muito mais coerente com suas convicções do que o PSOL que busca, hoje, agradar uma massa tornando-se popular e o novo nome da esquerda moderada.

      No fundo, a diferença é que o social liberalismo é liberalismo. Respeito para com a propriedade, defesa da vida e da liberdade.

      Como a liberdade é indivisível, não se pode clamar por liberdades civis sem liberdades econômicas e nem liberdades econômicas sem liberdades civis. Há no mundo os dois modelos de nação, mas o intuito é ter uma nação próspera economicamente onde cada vez menos o estado precisasse intervir, visto que a sociedade é capaz de organicamente resolver a maior parte de seus problemas e conflitos.

      Obrigado por participar.

  5. Sera mesmo que o “Livres” é tão livre assim?
    Assisti a uma propaganda desse partido pela Tv e tive que ouvir de uma membro chamada Desiree fazendo propaganda do Uber. Logo entendo que estejam sendo patrocinados por esta empresa ilicita e que utiliza de varios crimes para enriquecer, inclusive as custas de trabalho escravo.
    Começaram bem demais. Ja tem a minha aversão.
    Aproveite e deixe um recado para a integrante Desiree (Advogada) qie aparece no video dizendo que quer ser livre pra andar de Uber, que esta.empresa atua de forma ilegal, logo se nesse partido tem adoradores do ilicito nao podem tem minha admiracao. E aproveitem e perguntem a ela se ela quer ver varios bachareis em direito, livres para atuar como advogados sem o registro da Ordem?
    De esquerda, financiados por gigantes nós já temos o vermelho e não precisamos do roxo.

    1. Marcio, nós também somos contra a obrigatoriedade da OAB.
      Vai ter liberdade no transporte, no direito, na saúde, na educação etc.

      Não somos financiados por gigantes. Somos consumidores que buscam preços baixos e eficiência, coisa que não temos com os serviço monopolista dos táxis.

  6. Olá meu amigo Filipe, eu me chamo Alex, sou de São Gonçalo, Rj gostei da proposta do Livres pois está dentro da minha filosofia de vida.
    Gostaria de saber como faço para me filiar e futuramente me candidatar à um cargo político.
    aguardo resposta, um abraço.

  7. Boa noite, meu nome é Jane, sou ativista e quero filiar a um partido. com ideias inovadoras, uma avanço na politica . sou Jane Souza. Juntos por um Brasil justo!

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